PERFIL IMOBILIÁRIO DE CURITIBA E DOS CURITIBANOS
Se há alguns anos, com inflação elevada e crédito imobiliário curto, comprar um imóvel era um sonho quase impossível, restrito aos mais abastados, hoje essa realidade está, definitivamente, mudando, como mostram os números recordes de produção imobiliária e financiamento dos últimos anos em todo o país, inclusive em Curitiba. Mais do que isso: o curitibano quer comprar um imóvel.
É o que revela a pesquisa Perfil Imobiliário de Curitiba: comprar um imóvel imediatamente é desejo de 14,3% dos curitibanos. Em um prazo de dois anos, essa intenção sobe para 43,9% dos moradores da capital. Além desses números, é fato constatado pelo levantamento que o comprador atual está mais rápido na hora de fechar o negócio – se encontrou o que queria, fecha a compra quase de imediato.
Apesar do desejo e da rapidez, a negociação é criteriosa. O curitibano coloca a localização do imóvel à frente de tudo e é fiel à região que sempre morou. Esse item é prioritário na hora da escolha, superando, surpreendentemente, o preço – que é o segundo fator. Pesam também o tipo e a configuração do imóvel. Com um pouco menos de relevância, mas levados em conta, estão a construtora responsável pela obra e a infraestrutura do empreendimento a ser comprado.
E onde encontrar tudo isso? O jornal continua sendo o principal método de procura. É consultado por 39,1% dos compradores de todas as faixas de renda.
O morador com esse perfil, segundo a pesquisa, pôs fim a mitos que cercavam o mercado imobiliário de Curitiba.
SEGUEM OS 10 MITOS SOBRE CURITIBA E OS CURITIBANOS
1.ÁREAS COMUNS E LAZER
A lenda de que curitibano não gosta de se socializar está indo por água abaixo. Basta ver o perfil dos empreendimentos verticais lançados nos últimos anos. Os chamados condomínios-clube (que têm várias opções de lazer) mostram-se como um novo caminho, uma oferta do mercado que tem encontrado resposta nos clientes.
Para se ter ideia da importância da área comum, 93,8% dos empreendimentos recém-lançados possuem salão de festas. Já os chamados espaços gourmet e o playground são itens presentes em 65,4% deles, e 59,5% dos prédios têm um local para exercícios físicos (fitness center).Outro espaço de lazer que ganhou força, apesar do frio de Curitiba, foi a sacada. Ela foi fator decisivo para o empresário Caetano Bernardini Júnior e sua esposa, a engenheira civil Juliana Scorsin Bernardini, comprarem uma unidade do edifício Monterosso, no Alto da XV.
O apartamento possui duas sacadas. “Pretendo fazer algumas modificações. Uma delas vou integrar à sala e a outra será um espaço para os churrascos (conceito das varandas-gourmet)”, diz Caetano.
2. REGIAO SUL VENDE?
Se alguém ainda imagina que a Região Sul da cidade não vende está completamente enganado. Bairros como Portão, Capão Raso e Novo Mundo foram alguns dos responsáveis pela maior expansão imobiliária nos últimos anos, principalmente de prédios. No ano passado, a região chegou a representar 19,5% dos alvarás liberados para construção de apartamentos em Curitiba.
O principal responsável pelo crescimento foi o tradicional bairro Portão, onde existem diversos empreendimentos lançados e à venda. Capão Raso e Novo Mundo têm seguido a mesma tendência de crescimento. Também vale ressaltar que nos anos seguintes o número de obras concluídas deve ter um grande salto, devido às liberações solicitadas em 2008.O empresário Ivan Pergoraro é um dos que apostam nessa região da cidade. Em dezembro, deverá mudar-se para uma das unidades do condomínio Vila Pontoni, no Novo Mundo. “A região foi um fator primordial na minha escolha. Acredito que o sul de Curitiba deverá se desenvolver ainda mais em pouco tempo, com todas as novas construções e a infraestrutura aplicadas ali”, diz.
3. EMPRESAS DE FORA
De acordo com o Perfil Imobiliário de Curitiba, mais uma ideia que se mostra um mito é a do tradicionalismo curitibano, sobretudo no que diz respeito às marcas de fora da cidade. A base para a afirmação é simples: o bom estabelecimento de várias construtoras e incorporadoras de outras cidades e até mesmo estados que tiveram sucesso em seus lançamentos imobiliários na capital paranaense.
Sozinhas ou em parceria com empresas locais, as de fora foram responsáveis por boa parte da área construída nos últimos três anos. Algumas delas tiveram tanto êxito, que não se limitaram a apenas um empreendimento na capital. É o caso da mineira MRV, da paulista Gafisa e também da londrinense Plaenge. Em parceria, a paulista Rossi – unida em joint-venture com a Thá – e a gaúcha Goldztein e a paulista Cyrella – unidas com a Dória – também se destacaram.
Pela pesquisa, mais importante do que a origem da empresa que irá construir seu imóvel, o consumidor leva em conta a seriedade e a credibilidade da proposta.
4. INVESTIMENTO NO CENTRO
Apesar de ter espaço relativamente restrito, o centro de Curitiba não foi esquecido por construtores e incorporadores nos últimos dois anos. Em 2007, foram lançados 348 apartamentos na região. No ano passado, o número foi de 342.
Até o fechamento deste ano, a expectativa é de mais crescimento. Espera-se uma alta na liberação de alvarás para novas construções, talvez ultrapassando o maior patamar, ocorrido em 2006, com 839 unidades lançadas, que representaram 8,2% do total da cidade.
A recolocação do Centro na rota das grandes construções tem uma explicação: falta de imóveis e grande procura. Quem investiu lucrou. Os imóveis de perfil supereconômico (que custam até R$ 120 mil), construídos recentemente, se esgotaram com alta velocidade. “Esse sempre será um local de grande potencial e atração, com todos os serviços à disposição do morador. Lançamos alguns empreendimentos nessa região e todos foram sucessos de vendas”, diz Nilton Antonietto, diretor da Thá Incorporação.
5. UM, DOIS OU TRES QUARTOS
“O mercado imobiliário sempre teve uma ideia errada de que os imóveis de dois dormitórios, principalmente apartamentos, não eram tão procurados. Que se buscava os de um ou três quartos, prioritariamente. Ficamos muito tempo sem ter esse tipo de imóvel em estoque, mesmo com os compradores procurando”, diz Fernando Teixeira, corretor autônomo que atua na região central de Curitiba.
Não foi só o corretor que percebeu esse filão a ser explorado. Nos últimos seis anos, as construtoras também direcionaram seus investimentos para o novo caminho. O resultado: de 7% do total de apartamentos de dois quartos construídos em 2003, a participação passou para 31,2% em 2008. Os números vão além: até setembro deste ano, 45% – quase metade – de todos os apartamentos lançados são desse tipo.
Esse sucesso se deve muito ao apelo econômico desses imóveis e às novas configurações de família, que ficaram também menos numerosas.
6. RETORNO DOS COMERCIAIS
Após alguns anos de estagnação, as construtoras e incorporadoras voltaram a apostar no segmento comercial de edifícios. De 2003 a 2005, os lançamentos diminuíram de 633, para 190 e depois 130, respectivamente. Em 2006 e 2007 foi pior: não houve lançamento algum no perfil. Somente no ano passado, o segmento voltou a produzir.
Em alvarás liberados para novas construções do gênero houve um salto de 1.433 para 1.810 unidades, de 2007 para 2008, um crescimento de 21%. Em 2009 espera-se uma produção próxima de 2007.
A análise das obras concluídas mostra ainda que, entre 2007 e 2008, o mercado atingiu uma média anual de 800 salas comerciais. “Essa é uma quantidade ideal de lançamentos. Acredito que deve suprir a demanda de empresários querendo uma sala comercial, mas que não estava sendo atendida”, define Luís Alberto Daneve, diretor da LS Assessoria Imobiliária, que atua na locação e venda de imóveis comerciais.
7. VELOCIDADE DE VENDAS
A cidade se recuperou do trauma e a venda dos empreendimentos na planta voltou a ser representativa, com casos de unidades esgotadas nesta fase.
Entre os fatores que propiciam esse tipo de compra, especialistas apontam o preço mais baixo (uma unidade na planta pode sair até 40% menos do que quando concluída), a flexibilidade (em muitos casos o comprador pode definir o acabamento e a configuração dos ambientes) e a facilidade de pagamento (parcelar a entrada até a conclusão do prédio).
Essa combinação de fatores foi decisiva para a administradora de empresas Maria Augusta Meyer Gomes e seu marido, o médico Claudio Gomes, comprarem um apartamento durante essa fase. “Pesquisei uma empresa sólida e acompanhei todos os passos da obra. Isso me deu segurança”, diz Maria Augusta. No fim de outubro, seu apartamento, no edifício Belvedere, no Ecoville, foi entregue.
8. PREÇO DO METRO QUADRADO
A recente enxurrada de lançamentos trouxe mais do que opções para quem quer comprar. Houve também valorização de imóveis de todos os tipos em Curitiba. Se antigamente dizia-se que o preço do metro quadrado aqui era desvalorizado quando comparado a outras capitais, hoje isso não é verdade.
De 2003 a 2009, os apartamentos de um dormitório valorizaram 143% – o preço do metro quadrado disparou de R$ 1.038 para R$ 2.520. Foi o perfil de imóvel que mais teve alta. Até mesmo os perfis com menor valorização tiveram bom desempenho. O preço dos apartamentos de quatro quartos, por exemplo, subiu 63% (de R$ 1.416 a R$ 2.314 ) e as residências, 54% (de R$ 1.467 a R$ 2.256). Para João Teodoro da Silva, presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), esses valores colocam Curitiba no patamar de outras cidades de porte semelhante. “São os custos cobrados em todo o país. Essa era uma valorização que o setor precisava para corrigir a defasagem.”
9. DESEJO DE COMPRA
A ideia de que o curitibano não valoriza devidamente o imóvel também é refutada pelo Perfil Imobiliário de Curitiba. O desejo de compra é fato destacado por quase metade dos moradores da capital: 43,9% dos entrevistados da pesquisa apontam que a aquisição é uma meta para os próximos dois anos.
Os dados consolidados também apontam para a valorização da casa própria. Apesar de ser grande o número de lançamentos nos últimos anos, o mercado vem absorvendo a oferta. A existência de unidades ainda à venda não é problema em praticamente nenhum tipo (nem nos supereconômicos nem nos de padrão luxo).
Mais do que isso, o curitibano está disposto a investir pesado. “Se antes pensávamos que ele preferia um carro luxuoso a uma casa cara, isso já não ocorre. Todos os meses temos compradores que pretendem investir em uma boa compra, de um imóvel que às vezes custa muito para os padrões da família. Eles querem o direito de morar bem”, diz Luís Alberto Daneve, diretor LS Assessoria Imobiliária.
Os dados consolidados também apontam para a valorização da casa própria. Apesar de ser grande o número de lançamentos nos últimos anos, o mercado vem absorvendo a oferta. A existência de unidades ainda à venda não é problema em praticamente nenhum tipo (nem nos supereconômicos nem nos de padrão luxo).
Mais do que isso, o curitibano está disposto a investir pesado. “Se antes pensávamos que ele preferia um carro luxuoso a uma casa cara, isso já não ocorre. Todos os meses temos compradores que pretendem investir em uma boa compra, de um imóvel que às vezes custa muito para os padrões da família. Eles querem o direito de morar bem”, diz Luís Alberto Daneve, diretor LS Assessoria Imobiliária.
10. Facilidades do financimento: CREDITO FACIL
Nos últimos anos, o crédito imobiliário deu um salto no país, ficou mais acessível, com menos burocracia e prazos maiores. Isso ocorreu por conta das leis do Governo Federal de incentivo ao empréstimo, que obrigaram os bancos a movimentar seu saldo de poupanças nessa direção, e às leis de segurança a quem empresta – como a alienação fiduciária. Com ela, o imóvel só é de fato do comprador quando ele quita seu empréstimo. Em caso de inadimplência, a tomada do imóvel é mais rápida. O resultado disso em Curitiba foi um pulo de uma média de duas mil unidades verticais financiadas anualmente de 2000 a 2006 para sete mil nos anos seguintes. Não era o mercado da cidade que era pequeno. Era o dinheiro que era curto.
Foi um financiamento que tornou a compra da casa própria da estudante Aline Aby Azar Ribeiro possível. Há dez anos em Curitiba, a jovem – vinda do interior de São Paulo – assinou o contrato em agosto deste ano. “Optei pelas melhores taxas e prazo de pagamento.
O financiamento foi a solução para deixar de pagar o aluguel, que era um sonho antigo.”
FONTE: JORNAL GAZETA DO POVO
